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Já falei aqui algumas vezes mas vou falar de novo. Os treinos da maratona são foda! O pior de tudo é que é por nossa própria opção! Nós escolhemos esse sofrimento. Mas existe um treino em especial que é mais complicado. O tal do regenerativo. Mas afinal, o que é isso?
Ele é um treino que deve ser bem leve e no dia seguinte ao treino longo. Ou seja, você correu mais de 2 horas no sábado, bem firme e forte, e como prêmio, no dia seguinte você tem 50 minutos bem leve. Leve, leve não sei pra quem. Esse treino sempre foi um caos, dói tudo! Mas depois de 5 minutos tá tudo bem.
Como quase todo mundo sabe, eu também adoro um buteco. Então com esse ritmo maluco de treino eu quase não saio mais durante a semana. Só treino e descanso (é, descanso também é treino!).
Mas no sábado não tem jeito. Acabo saindo e tomando umas… Com isso vou dormir tarde depois de umas cervejas e, no domingo tem o maldito regeneras. Ai vem outro problema.
Domingo é o dia bom para dormir.
Mas dormir muito significa acordar tarde.
Acordar tarde significa sol forte.
Sol forte significa treino mais cansativo.
E o regeneras, como fica? Com isso fui fazer algumas experiências. Fiz algumas combinações entre dormir e beber. Fui dormir cedo, sem beber e treinei cedo.
Também fui dormir tarde depois de beber bastante. Por incrível que pareça, quanto maior a ressaca e menor o tempo dormido melhor será o regenerativo. Não sei porque. Acho porque sempre no começo tudo doi e nessa ressaca a consciência doi mais ainda, então sei lá, acho que por isso o regeneras fica mais leve.
Agora estou aproveitando o regenerativo para conhecer novos locais. Já fui em bairros mais distantes, no Parque do Povo, enfim, aproveito o descompromisso com distância e ritmo para correr em novos ares.
Outra coisa boa nesse tipo de treino é para testar novas roupas, tênis e asssessórios. Imagina ir mal num longo porque a meia aperta o dedinho do pé, vira uma bolha e uma dor que você fica parado por 1 semana? É, isso acontece mais do que você pode imaginar.
Como eu sou geneticamente desfavorecido na parte capilar, sempre corro com boné. Outro dia ganhei um boné novo do Cesar e aproveitei o regeneras pra testar.
Sai de casa e a chuva veio junto. Fui correndo nos jardins, curtindo a vista, curtindo a chuva. O boné estava bom, pois impedia que a chuva batesse direto nos olhos. Estava quase chegando em casa quando ouvi um ‘Pimba” no boné, fui olhar e vi a mira do desgraçado! Pronto, o boné foi batizado e passou no teste!
Araka!
Hoje eu vou protestar. Vou cutucar os homi!
Como vocês já sabem, eu não gostei daquele papo da Globo na maratona de São Paulo, quando o Cleber Machado disse “Ai na frente o pelotão de elite e logo atrás os atletas de fim de semana!”
Esse termo infeliz passa a impressão que qualquer um pode correr uma maratona. Sabe aquele cara que faz um churrasco, tomando várias caipirinhas, depois vai jogar aquela bolinha, cambaleando, tropeçando em todo mundo? Sim, esse mesmo cara, geralmente sem camisa e esbanjando uma bela pança vermelha do sol e com o cofre de fora, para o Cleber Machado, ele pode correr uma maratona.
Ora Cleber Machado, com tudo isso em vista, só falo que atleta de fim de semana é a sua avó!
E agora, inspirado no blog do meu amigo global Zé, onde ele mostra os torcedores do Bahia cantando o hino do time em outros lugares, eu lanço aqui a campanha “Atleta de fim de semana é a sua avó!” onde você vai enviar vídeos mostrando seus treinos durante a semana, Mostre os lugares bonitos onde você costuma dar suas passadas. De dia, de noite, na esteira, no parque, no clube, tanto faz o lugar, apenas mostre que você está correndo e mande seu recado para o Cleber.
Vamos aproveitar a Meia do Rio no domingo e enviar diversos email durante a transmissão para mostrar nosso protesto!
Araka!
Nesse tempo louco está cada vez mais difícil treinar. De um dia pro outro temos uma variação de 15 graus. Assim fica difícil fazer qualquer previsão.
Nos treinos a previsão também está sempre presente, em 4 variações: o esperado, o inesperado e o surpreendente. Sempre que um dos 3 não acontece, certamente teremos a quarta variação, a decepção.
No Brasileirão desse ano, o São Paulo estava em 15o lugar. Algo decepcionante. Mas de repente o inesperado aconteceu, o time começou a ganhar, foi ganhando posições, não perdia mais jogos até chegar a um surpreendente 2o lugar. Agora o time já se encontra onde é esperado, entre os 4 primeiros. Ou seja, em um mês o time passou pelas 4 variações.
Nessa semana teve o mundial de atletismo que gerou um grande ba-fá-fá. Pra ser sincero nunca tinha visto tantos comentários sobre atletismo. E quase todos sobre ele, o homem do ano, Usain Bolt. Certamente o nome dele foi mais comentado do que o de Phelps nas Olimpiadas, do acidente do Massa, dos shows do Roberto Carlos, do que os escândalos do Sarney, da Lipo do Ronaldo, enfim, em todos os lugares falavam dele. Bem, a lipo do Ronaldo vinha em segundo lugar.
Nos nossos treinos, quando o Cesar fala na pista “3 tiros de 3km”, primeiro o xingamos pra caramba (só pra não perder o costume) e depois pensamos nas seguintes hipóteses – 14:00 é o esperado. 13:45 é o inesperado e 13:30 é surpreendente. Qualquer tempo acima de 14 será decepcionante. Sempre procuraremos desculpas pra qualquer um dos resultados. Dormi mal, comi errado, bebi demais ou, ainda bem que acertei na comida, graças a Deus deu pra dormir cedo e por ai vai.
Quando fui para a Maratona, as minhas expectativas eram as seguintes: O esperado era terminar, o inesperado era para menos de 4:12 (média de 10km/h), o surpreendente abaixo de 4hs e a decepção era se eu paresse. Consegui um inesperado quase surpreendente 4;02. Pra mim foi ótimo, sai feliz da vida e até hoje foi a melhor corrida da minha vida.
Mas o que Bolt fez nessa semana foi mágica. Ele é descontraído, brinca com o mascote leão, aparenta bem relaxado, todo mundo que olha pra ele antes da largada não botá fé que ele vai ganhar.
Mas ai é que pra ele pesa ainda mais as 4 variações. A decepção seria se ele chegasse em 2o. O esperado é que ele vença a prova e o inesperado é que ele bata o record mundial e com tudo isso onde vai parar o surpreendente???
Bom, no caso dele, ele fez tudo isso novamente, só que nos 200m, onde não era favorito.
Araka!
Subida. Essa com certeza foi uma das piores invenções de Deus. Nunca vimos desenhos do Jardim do Eden com subidas, no paraíso não tem subida!
Eu odeio subida. Agora ainda mais. Meus treinos estão com muitas subidas. Intermináveis subidas. Longas subidas.
Mas ainda bem que para vencer essas malditas o homem inventou um monte de coisas, como teleféricos, escadas rolantes, bondes, escadas e uma que eu considero uma das maiores invenções do universo. O Elevador.
É, ele mesmo, aquela caixa Atlas ou Schindler que você entra para vencer em poucos segundos vários degraus que te derrotariam em muitos minutos. E melhor, sem cansar e nem suar.
Não é à toa que ele é o meio de transporte (é, ele é considerado um meio de transporte) mais utilizado, isso quer dizer que no mundo todo tem mais pessoas apertando o botão do que a buzina.
Outro dia, num desses feriados que tivemos, estava no interior e fui dar um trotezinho. Ali não existia mais de 4 metros plano. Mas foi um treino muito interessante. Começava com uma bela descida, depois os 4 metros planos e mais descida. Ai começou a chuva. Ainda bem! Que chuva! Ai elas apareceram. A primeira não era tão alta, uns 3 minutos e passei. Mais uns 400 metros de descida e outra subidinha leve. Ai acabou a estrada de terra e precisei voltar.
Ai complicou. As descidas viraram subidas.
Verdadeiras montanhas. Todas com variação na inclinação, nos buracos, nas pedras e no que mais puder te atrapalhar. Todas eram diferentes a cada metro. Como os elevadores. Já percebeu que não existem elevadores iguais? Começa pelo botão. Alguns mostram em que andar ele está, se está descendo ou subindo ou simplesmente acendem. Mas não confunda botão com buzina. No trânsito, quando você buzina o motorista da frente acorda e anda, já o elevador não virá mais rápido se você ficar apertando o botão sem parar.
Comecei a encarar a 1a numa boa, mas a 2a, foi difícil. Nisso passou um carro com o som muito alto. Era Ivete. Comecei a cantar junto “Poeira…Poeira, levantou poeira” e logo essa música mudou para “Pirambeeeiraahhh, Pirambeeeeeiraahhh, Lá vem Pi-ram-bei- ra!”. Depois disso as subidas ficaram mais leves.
Portas de correr, automáticas, com sensor, porta de madeira, de ferro, porta armada, enfim, são milhares de tipos de portas e sistemas de aberturas. Tudo sempre acompanhando o estilo arquitetônico da época e do edifício.
As subidas também entraram nos meus longos. No último sábado fui correr 20km na USP e adivinha qual era o percurso? 2 voltas de 10km, ou seja, 2 vezes a maldita Biologia.
Nunca subi essa desgraçada 2 vezes num dia. Estava com medo. Muito medo. Fui correndo com um amigo, que estava um pouco mais forte do que eu gostaria, mas estávamos num bom papo e o ritmo não estava me quebrando. Chegamos na monstra. Puxada na respiração e vamos pra cima. Sobe, sobe, sobe, respira e sobe mais um pouco. Terminada, vem o descidão, que dá pra relaxar um pouco. Na 2a volta eu iria sozinho. Ai tava o perigo. Sabia que não conseguiria os 51:27 da primeira volta. Mas perdendo 2 minutos estaria dentro do programado.
Se quando corremos com alguém pode ajudar o tempo da corrida passar mais rápido, dentro do elevador não sabemos muito o que fazer. Alguns são panorâmicos, dá pra aproveitar a vista durante a subida. Eu nunca vi, mas dizem que uns têm música. Música ruim, porque se fosse boa não existiria a expressão “música de elevador”. Tem também o Elemídia, que nos permite ver entre uma propaganda e outra uma notícia que gera um comentário e burburinho entre os seus passageiros. O espelho é sempre bem utlizado pra ver o visual e se tem um feijãozinho esquecido no dente.
Fui correndo bem e quando cheguei na Biologia lembrei da Ivete. E haja Ivete pra cantar! Nessa subida parecia que tinha uma lata de concreto nas minhas pernas. Ia subindo e xingando aquela 1a volta rápida e o Cesar, pra não perder o costume. Me achava o cara mais burro do mundo em ter saído forte. Foi quando eu olhei no relógio e vi que estava apenas 20 segundos mais lento do que a 1a volta.
Ai o treino mudou. Desci normal, peguei a água e mandei bala. Não olhei pros lados e encarei os últimos 3km com muita vontade. Parecia que descia da cobertura para a garagem sem paradas! Terminei a volta com incríveis 50:56. 15 segundos mais lento que minha melhor corrida de 10km. Essa no plano. E o treino total ficou em 1h42m23s.
A subida dentro de um treino ou corrida nunca passará desapercebida, sempre será a nossa pedra no sapato ou o pum dentro do elevador.
Araka!
Ultimamente ela tem aparecido bastante nos treinos. Tem dias que você acorda e ela já está ali marcando presença. Em outros ela está ali enchendo o saco o dia todo. De vez enquando vem inesperadamente já no meio da corrida. Às vezes ela dá toda a pinta de que vai aparecer mas vai embora.
É, a chuva. Aquela água toda que cai do céu, tira a paciência dos motoristas, alaga ruas, destrói construções, e traz muita, muita vontade de ficar em casa embaixo de um cobertor e ver um filme à la Sessão da Tarde.
Sua presença é polêmica. Muitos a odeiam, alguns não ligam, mas poucos, diria até raros são os malucos que gostam dela. Eu sou um desses. Na verdade eu prefiro ela do que aquele sol de rachar na cuca.
Acho que é uma coisa que vem desde pequeno. Quando era criança e começava o toró, eu e o Ciro (que mora no meu prédio) descíamos correndo para jogar bola embaixo de verdadeiras chuvas torrenciais. Esses eram os melhores jogos com direito a peixinhos no jardim da frente.
O ruim é quando vamos começar a correr e já está chovendo. Sair da cama, sair de casa, sair do carro, sair do seco para entrar na chuva. Mas passados 5 minutos, depois de parar de tremer, com a camiseta pesando 5 kg e o tênis “cantando” Tchek Tchek a cada passada, você já acostuma e vai tirando a água que não para de escorrer no rosto.
O que atrapalha na verdade são as meias. Começam a ficar molhadas e ai é que mora o perigo. Bolhas. Ai meu Deus, como essas são malditas! Posso fazer uma comparação. As bolhas vão te incomodar durante a semana da mesma maneira que o famoso “braço de taxista” e a testa vermelha nos atrapalha depois de treinos ensolarados.
A chuva boa é aquela que vem na metade final do treino. Fraquinha, fininha, ela aparece depois de correr mais de 12km, ainda faltando uns 5, ela vem pra dar um refresco. Não chega a fazer poças no chão, a camiseta não pesa, o tênis não canta, só o rosto que molha bem e “limpa” todo o suor, dando uma virada no treino. Ah, e o melhor, ainda temos a desculpa da chuva para fugir do alongamento.
Nesse mês São Pedro resolveu trocar toda a água lá de cima. Não temos mais de 2 dias sem chuvas. Pior, estamos há 2 semanas chovendo praticamente todos os dias. Pros que não gostam da chuva, significa menos treinos, já pra mim… é tô treinando mais!
Araka!
Quando vamos fazer nosso plano de metas para o ano, pensamos nas corridas que fizemos e queremos repetir, outras que ouvimos falar bem e as que nunca devemos nem pensar em nos inscrever. Muitas dessas corridas são boas, mas algumas são bem meia boca.
Uma corrida bem meia boca que fiz e, inclusive já comentei num post anterior, foi a Meia de Buenos Aires, em 2007. A fama da prova era ótima: temperatura perfeita – 10 graus, sem subida e grandes perspectivas de fazer um ótimo tempo, além da viagem que é sem comentários.
Mas em 2007 nada disso aconteceu. Fomos para a largada com incríveis 25 graus e a temperatura estava esquentando. Pra piorar, quando eu passei pelo 5km nada de água, apenas uns copinhos no chão. Achando que teria mais pra frente mas nada. Ainda bem que tinha um troquinho no bolso e consegui perder uns 3 minutos para comprar água. Isso lá pros 13km. Depois não vi mais nada. No final, a direção da prova ainda liberou o trânsito, ou seja, carros cruzavam a pista, andavam ao nosso lado, um caos total.
Em 2008 essa prova estava na lista das corridas para não voltar, não indicar e nem querer saber como foi. Não fui, mas me disseram que foi boa, Teve água, estava frio e sem carros.
Com essa nova informação, a prova voltou a me despertar interesse e estava na listinha das possíveis provas para o ano. Mas ai veio a notícia de que ela foi cancelada. Não, não foi por causa da grupe suina, mas sim por um encontro mundial que ocorrerá por lá e a falta de outras datas.
Outro dia estava na USP conversando com a Camila e o Cesar, que foram comigo em 2007 e, eu estava chateado com o cancelamento da prova, mas eles vieram com uma proposta fantástica:”Vamos correr lá mesmo assim! Nada vai ser diferente da que fizemos, não teremos água e o trânsito não estará fechado, se tivermos sorte vai estar frio!”
Adorei a idéia e resolvi evoluí-la um pouco. Já que a prova vai ser nossa, porque não adequar aos nossos gostos?
Vamos começar pelo nome, acredito que o nome mais adquedo seja “Meia Boca de Buenos Aires”
A camiseta seria a que a gente usa sempre, a “Amarelinha da MPR”, mas com uma faixa azul no peito, afinal é a Meia Boca.
A largada também terá modificações, sairemos as 9:30 e no sábado. Assim não tem que acordar tão cedo, curte o sábado e domingo inteiro. A largada também pode ser na frente do hotel mesmo. O mestre de cerimônia tem que ser alguém com a cara da corrida, alguém que a represente tão bem, seja símbolo na Argentina, muito conhecido no Brasil e que seja bem mequetrefe, bem pilantra. Nada melhor que Diego Armando Maradona. Morador de Buenos Aires, ídolo do Boca, “adorado” pelos brasileiros e alguém cuja as palavras passam confiança e credibilidade. Ah, e ele ainda poderá usar suas famosas espingardas para dar a largada.
Algumas ruas e praças serão incluidas na prova assim com algumas paradas nuns Havanas e Cafés, para repor as energias.
Ah, e como essa corrida é nossa (pelo amor de Deus, eu não tenho nada contra as empresas que apoiam as corridas, acho que essas empresas devem ser muito respeitadas e “consumidas” pelos corredores) a gente pode escolher nossos patrocionadores. Eu não gostaria de correr com o “Montevergine” em cima do meu número. Fiz algumas sugestões que seguem abaixo e um convite para vocês mandarem sugestões de números e patrocinadores que vocês gostariam de usar. Podem ser pessoas conhecidas também.
Araka!








