segunda-feira, 13 de julho de 2009

A Nossa Prova!

Quando vamos fazer nosso plano de metas para o ano, pensamos nas corridas que fizemos e queremos repetir, outras que ouvimos falar bem e as que nunca devemos nem pensar em nos inscrever. Muitas dessas corridas são boas, mas algumas são bem meia boca.

Uma corrida bem meia boca que fiz e, inclusive já comentei num post anterior, foi a Meia de Buenos Aires, em 2007. A fama da prova era ótima: temperatura perfeita – 10 graus, sem subida e grandes perspectivas de fazer um ótimo tempo, além da viagem que é sem comentários.

Mas em 2007 nada disso aconteceu. Fomos para a largada com incríveis 25 graus e a temperatura estava esquentando. Pra piorar, quando eu passei pelo 5km nada de água, apenas uns copinhos no chão. Achando que teria mais pra frente mas nada. Ainda bem que tinha um troquinho no bolso e consegui perder uns 3 minutos para comprar água. Isso lá pros 13km. Depois não vi mais nada. No final, a direção da prova ainda liberou o trânsito, ou seja, carros cruzavam a pista, andavam ao nosso lado, um caos total.

Em 2008 essa prova estava na lista das corridas para não voltar, não indicar e nem querer saber como foi. Não fui, mas me disseram que foi boa, Teve água, estava frio e sem carros.

Com essa nova informação, a prova voltou a me despertar interesse e estava na listinha das possíveis provas para o ano. Mas ai veio a notícia de que ela foi cancelada. Não, não foi por causa da grupe suina, mas sim por um encontro mundial que ocorrerá por lá e a falta de outras datas.

Outro dia estava na USP conversando com a Camila e o Cesar, que foram comigo em 2007 e, eu estava chateado com o cancelamento da prova, mas eles vieram com uma proposta fantástica:”Vamos correr lá mesmo assim! Nada vai ser diferente da que fizemos, não teremos água e o trânsito não estará fechado, se tivermos sorte vai estar frio!”

Adorei a idéia e resolvi evoluí-la um pouco. Já que a prova vai ser nossa, porque não adequar aos nossos gostos?

Vamos começar pelo nome, acredito que o nome mais adquedo seja “Meia Boca de Buenos Aires”

A camiseta seria a que a gente usa sempre, a “Amarelinha da MPR”, mas com uma faixa azul no peito, afinal é a Meia Boca.

A largada também terá modificações, sairemos as 9:30 e no sábado. Assim não tem que acordar tão cedo, curte o sábado e domingo inteiro. A largada também pode ser na frente do hotel mesmo. O mestre de cerimônia tem que ser alguém com a cara da corrida, alguém que a represente tão bem, seja símbolo na Argentina, muito conhecido no Brasil e que seja bem mequetrefe, bem pilantra. Nada melhor que Diego Armando Maradona. Morador de Buenos Aires, ídolo do Boca, “adorado” pelos brasileiros e alguém cuja as palavras passam confiança e credibilidade. Ah, e ele ainda poderá usar suas famosas espingardas para dar a largada.

Algumas ruas e praças serão incluidas na prova assim com algumas paradas nuns Havanas e Cafés, para repor as energias.

Ah, e como essa corrida é nossa (pelo amor de Deus, eu não tenho nada contra as empresas que apoiam as corridas, acho que essas empresas devem ser muito respeitadas e “consumidas” pelos corredores) a gente pode escolher nossos patrocionadores. Eu não gostaria de correr com o “Montevergine” em cima do meu número. Fiz algumas sugestões que seguem abaixo e um convite para vocês mandarem sugestões de números e patrocinadores que vocês gostariam de usar. Podem ser pessoas conhecidas também.

Araka!














domingo, 5 de julho de 2009

Que Meia!

Lavar a alma. Vocês conhecem bem essa expressão, não é? Ela sempre vem depois que perdemos alguma coisa, vamos mau em alguma prova, algo realmente imprevisível aconteceu, e temos uma chance de tentar novamente e vamos bem. Bem melhor do que era esperado na primeira vez.

No mesmo dia da Meia do Rio, jogaram Brasil e Estados Unidos pela final da Copa das Confederações. Brasil, como sempre forte candidato e Estados Unidos, como de costume, a grande zebra na África. Ninguém no mundo pensava que os EUA chegariam nessa final, como eu pensei que não chegaria no Rio.

Por vários motivos eu nunca achei que fosse correr nessa prova. Foram muitos treinos de recuperação, pouca dedicação fora dos treinos, muitos happy hours, pastéis e sorvetes, enfim, tudo o que eu me dediquei para a maratona eu chutei o balde pra essa Meia. Por tudo isso ficou óbvio que minha meta era apenas terminar, e que aqueles 32 segundos ficariam para outro dia.


Mas começou o jogo e a zebra apareceu bem forte. Na verdade 2 vezes forte. O Brasil não jogava nada e já perdia de 2 a 0. Como a seleção não anda numa boa fase todos já esperavam o pior.


Eu agora estou na Av. Tiradentes, indo para Guarulhos. Já andei incríveis 8km em 54 minutos. Ou seja, se estivesse correndo estaria 2 km na minha frente. Depois de muito tempo, embarquei num avião cheio de passageiros com máscaras e algumas tossidas ao fundo. A gripe suina estava nos pensamentos dos passageiros… tensão!

No intervalo o Dunga deve ter dado uma daquelas broncas das boas, deve ter xingado todo mundo, jogou a motivação lá pra cima. Os jogadores voltaram como se fosse outro time.


Sabadão dei um trote de leve no calçadão. A famosa “aclimatização”. Ali parecia mais o treino do Ibirapuera do que o Leblon. Encontrei muitos conhecidos, muitas pessoas que vejo treinando no parque mas não conheço. Estava em casa!


Domingão, acordei as 5:30, café, taxi e largada. Um pouco antes da largada, fui intimidado pelo Adilson, que não queria chegar atrás de mim por nada e falava “Aqui você não vai me passar não, se passar vou passar o rodo, e atirar pedra!” Esse era o clima da prova. Largamos juntos e já no 2km eu deixei ele ir na frente. Não queria que a zebra voltasse nesse ano. Fui seguindo o meu plano de prova e vi que estava um pouco mais forte, mas nada de anormal e que dava para ser controlado. Subidinha de leve e lá estávamos no Joá. Que visual! O mar inteiro visto lá de cima, com as ondas quebrando no paredão! Que coisa linda!

Nisso, em 1 minuto a seleção conseguiu fazer um gol. Já ficamos mais felizes. Pensamentos positivos e uma pequena esperança em ver o jogo melhorar. Um pouco depois e uma cabeçada certeira do Kaká, vimos a bola entrar. O juiz não. E o jogo segue com dificuldade pro Brasil e pra mim também. Cheguei na Niemeyer. Uma subidinha de leve (nada a ver com a Biologia e a Brigadeiro) mas ali estava no 5k e era uma subida longa. Ritmo mais lento mas nada que prejudicasse minha corrida. Leblon, Ipanema e Copacabana. Alguns Djs no caminho, aplausos da torcida, sol escondido. Tudo estava perfeito, até a seleção resolveu empatar. Um cruzamento, bate e rebate na área, defesa, trave, Luis Fabiano, cabeça e 2 a 2.

Cheguei no túnel de Copacabana. Ali eu quebrei no ano passado. Essa lembrança era muito forte. Leve tontura pela escuridão, bati umas palmas, uns gritos e vamBora que corrida só tem mais 5km.

Ai apareceu o Lucio. Jogou muito. Marcou, brigou com o juiz, dividiu, rachou, deu bico. Um gigante no jogo. Substituiu o Cafu, eterno capitão, a altura. E nada mais merecido do que ele mesmo dar a cabeçada certeira que decidiu o jogo. Decidiu a copa. Trouxe a Caneca! Fez o Brasil votar a encantar a torcida, desacreditada na seleção.

Esses 5k foram os mais tranquilos da prova. Tempo adminsitrado, passada firme, e a certeza que a zebra estava lá na Africa!
Cheguei no aterro e, ainda bem era só um pouco da ida. Vi a chegada, apertei o pé e cruzei a linha em incríveis 1:52:11.
8 minutos mais rápido que no ano passado.
6 minutos mais rápido que a minha melhor Meia.
15 minutos melhor do que eu achava que faria

4 minutos a mais do que o Cesar tinha programado para mim.

Se os “ISSI” apareceram, dessa vez foram ao meu favor e ai a gente não sabe e nem conta.
Uma prova perfeita. Sem erros, sem lamentações e muito marcante. E o que eu realmente sei é que dessa vez lá no Rio eu corri como a seleção e no final eu LAVEI A ALMA!

Araka!

OBS.: O Adilson foi bem, bem pra caramba, mas no final ele quebrou e terminou 15 segundos na minha frente. Infelizmente não o vi na reta final. Se tivesse visto teria tirado forças do além para ultrapassá-lo. Na minha foto da chegada eu consigo vê-lo em primeiro plano (ele é esse maior e eu estou de amarelo cruzando a linha) . Mas por outro lado foi muito bom, deixou uma brecha para voltar no ano que vem.





quinta-feira, 25 de junho de 2009

E se...

O maldito “issi” infelizmente está sempre presente em nossas vidas. Sempre no lado negativo, se alguma coisa não deu certo, é culpa do ISSI.

Eu sempre penso “estou aqui, desse jeito, porque um conjunto de fatos aconteceram para resultar o agora”. Eu prefiro excluir o ISSI da minha vida, acho besteira perder tempo pensando nas coisas que poderiam ter acontecido se uma coisinha tivesse ocorrido.

Eu tenho uma corrida muito especial e querida na minha vida. A Meia Maratona do Rio. É uma das provas mais bonitas e mais difíceis do Brasil. Ela tem um significado muito importante na minha vida de atleta (não de fim de semana.., isso ainda me incomoda). Mas para mim é uma das únicas vezes que eu infelizmente uso o ISSI na minha vida.

Já tinha feito umas 10 provas de 10km quando resolvi “dar o próximo passo”. Fevereiro de 2003, comecei a treinar com o Marcos Paulo e estava focado na Meia do Rio. Treinos, contusões, canelite, pé torcido, sinusite. Aconteceu de tudo nesses 6 meses, mas fui pra Meia do Rio confiante. Minha expectativa era terminar por volta de 2:20. Larguei forte, fui indo muito bem, crescendo na prova, nem sentia o calor infernal e, lá pro 16k, no começo do “Enterro do Flamengo” – lugar que todo mundo odeia na prova, pois você vê a chegada de um lado e tem que correr mais 5k no lugar mais abafado da prova - estava com 1:30 mais ou menos, encontro com o Cesar (treinador) que fala pra um aluno ao meu lado “Fulano, vai que você está ótimo!” na sequência ele vira “Doca, seu animal! Você está louco??? Diminui essa p***” . Pronto, foram as palavras que faltavam para eu quebrar! Acredito que ele não falou por mau, ele certamente não lembra disso, mas eu lembro! E lá pro 18k eu quebrei e mudei meu ritmo de prova de uns 5:15 pra 7:30. Terminei com incríveis 2:01:52. Apesar do ótimo e inesperado tempo, eu ainda fico pensando “ISSI NÃO FOSSE O MALDITO COMENTÁRIO DO CESAR eu teria feito em menos de 2horas” e mesmo assim animado com meu tempo fiz uma promessa: “Antes dos 30 eu faço uma inteira”. O resultado vocês já conhecem…

No outro ano voltei menos treinado, terminei em 2:06. Sem surpresas, apenas com o ISSI tivesse treinado poderia ter ido melhor.

Já no ano passado, nosso amigo ISSI apareceu novamante. Estava muito bem treinado, preparado, tinha a estratégia da prova na cabeça. 1:55 era um tempo fácil de ser feito.
Fiz a besteira de sair no pelotão VIP de elite, um setor criado pela Globo para colocar seus convidados, atores, cantores e eu. A vantagem é que não pegamos “trânsito” já saimos com pista livre e na frente daquela galera que carrega as faixas e saudações pra família.

Largou. Desejei boa prova pro Tande (ele mesmo, o do vôlei!) e fui embora. Animado com tudo livre na frente fui bem empolgado. Mais do que deveria. Estava a 4:30. Na subida. Fui no embalo e quando vi já estava no 5k com 23 minutos de prova. Realmente ali o Cesar poderia ter gritado! Fiquei consciente da insanidade e diminui o ritmo. Lá pros 14k estava muito dolorido. Pensei em desistir, mas teria que chegar pelo menos até o 16k. Fui trotando leve e vi que dava para terminar a prova. Quando cheguei no 18k (de novo no 18k) vomitei. Muito. Pra caramba. Muitos vieram oferecer ajuda, mas a minah sorte é que a água estava na minha frente e ainda tinha um gel. “ISSI não tivesse um gel extra? Tava ferrado!” Acho que esse foi o único issi bom da prova. Bom, continuei a prova e terminei em incríveis 2:00:32, puto da vida por não ter feito abaixo de 2horas e cheio de ISSIs na cabeça: ISSI não tivesse largado forte? ISSI tivesse andado menos? ISSI tivesse vomitado um pouco menos? ISSI a meia fosse só 21km e não os 21.098. ISSI ISSI ISSI ISSI Mas no final não posso reclamar, foi meu melhor tempo lá no Rio e ainda deixou a brecha pra voltar mais uma vez.

Mas o ISSI tem seu lado bom. ISSI não fosse a Meia do Rio, eu nunca teria entrado na MPR, nunca teria errado feio, nunca teria aprendido com esses erros, nunca teria feito a Maratona e nunca teria escrito esse blog!

Araka!

Obs.: Nesses dias eu soube que esse blog mudou a vida de algumas pessoas que queria comentar aqui! Gabi e a Paty começaram a escrever blogs, bem legais e eu recomendo! O Filippo ao ler o texto da maratona se inscreveu pra maratona da Disney e o Paulo resolveu começar a correr e já quer fazer uma maratona no ano que vem. Agora sim eu posso falar ISSI não fosse esse blog…

terça-feira, 16 de junho de 2009

Eu também vou reclamar!

Os treinos vão indo muito bem, algumas metas traçadas e outros objetivos atingidos porém aquele maldito comentário “Atletas de fim de semana” continua emputessendo minha vida. Vou aproveitar esse post e desabafar tudo o que me deixa puto da vida!
Você corredor, tenho certeza que vai concordar comigo!

Tudo começa quando eu falo pra alguém que eu corro. A coisa mais engraçada é ver a reação das pessoas que nunca correram quando escutam que eu corro. “Você? Correndo?? Até parece!!!” e enquanto isso estão me analisando dos pés até a cabeça. E continuam “Correndo de quem? Correndo pra que? Porque você acorda ao cedo pra fazer isso? Que sem graça”. É verdade, eu corro, não sou magro, tenho aparência cansada e adoro um bar! Mas eu corro e aposto um chopp que chego na sua frente!

Depois sempre vem “mas maratona tipo a São Silvestre?” Antes de tudo, nem toda corrida na rua é uma maratona, e existem muitas além da São Silvestre. Maratona é corrida mais nobre e tem SEMPRE 42.195 metros. Prestem atenção, a São Silvestre não é uma maratona! Está longe disso! Tem apenas 15km.

E logo na sequência eles emendam “O irmão do fllho do cunhado do primo do chefe do meu tio tem um amigo que correu a São Silvestre. Ah, ele foi bem, acho que terminou em 3 horas, mas ele era dedicado”. Eu fico indignado com a quantidade de chutes e a distância da relação com tal atleta. Esse sim deve ser de fim de semana. E outra, sempre é um tempo altíssimo, mas esse atleta distante é um corredor de verdade. Eu sou apenas um de fim de semana.

Ai vem “Ganhou? Não? Ficou em que lugar? A quantas horas do queniano?” É claro que nunca vou ganhar, tô nem ai pro tempo do queniano e vou ficar muito feliz se terminar num tempo melhor que o da minha última prova. E você pra perguntar uma asneira dessa eu tenho certeza que nunca foi assistir uma corrida e muito menos sabe o que é o chip!

Ai continuam “E aquele gel, coisa horrorosa, como você toma aquilo, que frecura!” Essa parte eu prefiro não responder. É claro que o Gel não é uma Norteña, mas está longe de ser uma Kaiser. Mas precisamos dele, é nossa energia para poder aguenatar as baboseiras que nos perguntam depois.

Ai apontam pro tênis. Aquele All Star surrado, com uns 10 anos de uso, cheio de silver tape e várias partidas de futebol no histórico “Esse tá bom, né?” É, tá bom pra te dar uma bela canelite! "Mas pra que gastar R$400 num tênis!” Justamente, pra minha corridinha de fim de semana um All Star está ótimo! EU sou uma besta!

Pronto! Desabafei! Só não venham me perguntar o que é correr a 5:10/km! Afinal, o sábado está chegando e preciso ir me alongando!

Araka!

quinta-feira, 4 de junho de 2009

De volta aos 10km!

De volta as corridas. É nesse domingo participei da Maratona de São Paulo. Não, não fui louco de correr os 42km novamente, corri uma prova de 10km dentro da maratona. Foi muito legal para ver, rever uma maratona e corrida, agora dentro de São Paulo.

Adoro correr em lugares novos ou em novas corridas. Nada contra, mas provas na USP e na 23 eu realmente estou de saco cheio.

Minha última prova de 10km foi em julho de 2005, no então criado Circuito das Estações. Estava muito mau naquela época. Longe dos bons tempos e, a cada prova que fazia, meus tempos pioravam. Essa ai foi a gota d´água...57:30. Eu sei que pra muitos é um bom tempo, mas pensando que 1 ano e meio antes eu tinha feito 50:38.

Falando em corridas novas, vamos para algumas curiosidades sobre as famosas corridas

A São Silvestre começou logo depois que o visionário Casper Libero voltou de Paris, onde assistiu a uma corrida noturna. Entusiasmado com essa prova, ele quis fazer o mesmo aqui em São Paulo e, para ser algo mais grandioso ainda, escolheu a noite que tem mais atenção no ano, o dia 31 de dezembro. Fez os cálculos para que o primeiro colocado chegasse bem próximo da virada. Deu certo, e desde então, apesar das mudanças de percurso e horário, essa ainda continua sendo a principal prova de rua de nosso pais.

A maratona de São Paulo tem uma história muito curiosa. Ela começou em 1994, no mesmo ano em que, quem estava em Barra do Sahy, presenciou, entre um pastel e outro da Dona Benê, quando o jovem Doca, com seus 15 anos, magrinho, fininho saia para seus primeiros trotes nas areias. Nesse ano, Dr Paulo Maluf, prefeito da cidade, acabara de inaugurar uma série de túneis para a melhoraria do trânsito. Mas, ele acabou fazendo mais do que isso, visionário como Casper, ele viu que São Paulo não tinha uma grande Maratona, então ele aproveitou e ele promoveu a 1a Maratona de São Paulo. Essa corrida deu certo, ou pelo menos eu acho que deu, já que nesse ano completou 15 edições.

Voltamos a 2004 quando eu tive meu primeiro contato real com ela. Era a 10a edição. Planilha, treino longo de 14km. Falei com o Filippo, que sempre correu comigo, e nessa época estava bem mais forte em provas rápidas, e fomos fazer o longo dentro da Maratona. Largamos com todo mundo na frente do Obelisco. Fomos embalado com a multidão. Estava uma festa muito bonita, muita gente animada, bastante pessoas na largada, o clima estava muito bom. Passamos pelo noiva, vimos os são paulino, o indio e o home planta nos passou e passamos por vários Tiriricas, Falcões e Travecos. Ou seja, aquela festa de todas as corridas. Entramos nos túneis, caímos no Jóquei, cruzamos a ponte e, o noivo de novo? É ele roubou no percurso! Continuamos e logo chegamos nos nosso 15km no Parque Vila Lobos. Animados seguimos em frente, cruzamos a ponte, entramos na USP e paramos no 21km. Foi uma experiência muito legal, diferente. Até então uma das melhores provas que havia feito.

15 anos depois volto pra mesma prova. Agora de forma oficial. Porém vou pra lá encarar apenas os 10km. O que mais me atraiu nessa prova foi a mudança de percurso. No ano passado, o prefeito Kassab também aproveitou a inauguração da nova Ponte Estaiada e trocou largada. O que foi muito legal, essa ponte é bem diferente das “tábuas de concreto” que são todas as pontes da marginal. Logo essa ponte virou o novo cartão postal da cidade. Nossa última grande ponte era o viaduto Santa Ifigenia!

Bom, vamos voltar pra prova… larguei junto com o Filippo, o mesmo de 5 anos atrás.
Largamos com cartazes, mas ao invés do tradional “Marcos Paulo, eu tô na Globo” exibimos 2 desenhos feitos pelo Kramer especialmente para a prova. Fomos numa boa na subida, vendo todos aqueles fios, cabos, rio, a largada foi muito legal. A sensação de estar lá em cima da ponte já valeu muito a pena. Era tudo muito bonito, menos as coisas boiando no rio.

Caimos na marginal. O ritmo vai aumentando como o cheiro do rio. De repente, um corredor desmaiado no chão. Que susto, mas o pessoal do socorro já estava por lá. Caimos na JK e metade da prova entrou no túnel. Eles rumavam para os grandiosos 42.195 ou 25km, e o resto seguiu reto rumo ao Obelisco para terminar os honrosos 10km.

Entramos no outro túnel e na saída dele, que dureza,…. Muito íngreme! Imagino o pessoal lá nos 38 subindo isso tudo! Nessa hora, lá pro 7km eu me distanciei do Filippo. Depois ainda teve mais subida. A República do Líbano engana. E engana bem, aquilo ali é uma ladeira só! Mas logo depois já era possível ver a chegada e ainda tinha um fôlego extra pra um sprint.

Cruzada a linha, 53:19. Gostei do tempo. Gostei da prova. Adorei a medalha!
Saindo de lá fui pra gloriosa padaria Bienal para tomar um café reforçado e nos deparamos com jogo de futebol na TV. Trocaram a Maratona da cidade pelo Inter x Atalanta do já definido campeonato italiano. Fiquei puto! Pedi para trocarem de canal e quando vi, a padaria toda estava torcendo para o Frank Caldeira, mesmo sabendo que não tinha mais chances. Ver o final da prova comendo e já com o dever cumprido foi muito bom!

Só gostaria de terminar com um comentário que li em alguns blogs e também concordo. Eu acho um absurdo e uma falta de respeito quando eles falam na TV:”Seguem os profissionais na ponta da prova e os atletas de fim de semana no fundo”. Chamar a gente de “Atletas de fim de semana” é sacanagem!

Araka!



quinta-feira, 28 de maio de 2009

O senhor está ficando sem paciência!

A palavra do mês é paciência. Nessa volta aos treinos eu realmente preciso de muita paciência. É difícil conviver com tempos bem mais altos do que estava acostumado.

Continuo correndo. Voltando bem devagar. A cada treino o cansaço vai diminuindo e a perna soltando. Mas ainda está tudo devagar... Agora parece que estou no kilômetro 10 da maratona. Tem que ter paciência, está tudo bem devagar....

Mas a paciência pra voltar a correr não é nada comparada com a paciência necessária para arrumar a internet em casa. Isso sim é devagar!

Eu tinha, ou ainda tenho, o Speedy. Cada vez que ele para de funcionar é um caos. Liga pro Speedy, tecle 1, tecle 8, tecle 532, cpf, cep, certificado de reservista e depois de meia hora e a paciência indo embora eles informam que o problema é do Terra. Liga pro Terra a mesma coisa e depois de 45 minutos e o problema é do Speedy. Liga novamente ao Speedy, opção 2, 4, 7, 2, 1, um momento… e nada… continuamos 3 dias sem internet, irritado e sem paciência.

Outro dia fiz um treino longo, pra 14km. Agora é curioso chamar o longo de 14km. Paciência! Isso há 2 meses era fichinha. Mas fiz esse longão pra incríveis 6:15/km! Para isso sim é preciso paciência. Nada contra esse tempo, é que quando eu poderia fazer um treino desse para 5:10, 5:00 /km, 6:15 é uma eternidade!

E com os consultores o papo vai indo, não sei como, mas cada vez que você liga lá eles passam uma informação nova ou um procedimento que você tem certeza que nunca viu.
Paciência é ficar ligando até alguém atender que saiba trabalhar com Macintosh. O mais engraçado disso tudo é que eles sempre acham que você trocou a configuração do computador. Vai no System Preferences e entra no TCP/IP PPO/e, ethernet, cable, airport, ah tá usando roteador? Mas isso ai não pode! Realmente me diga uma coisa, quem entra nessas coisas por acaso? Estava lendo um email, ouvindo uma música e quando eu vi, troquei o meu usário e TCP-IP. Tenha paciência!

Os treinos de pista continuam apenas como “rodagem”. Enquanto o pessoal tá nos 8 tiros de 500m, 1 de 3km, ou 2 de 1500 metros, eu continuo suando pra fazer os 25 minutos. Bem devagar e com paciência, é lógico.

Agora imagina se nossas corridas fossem organizadas pelas centrais de telemarketing. A largada pode estar acontecendo entre 8 e 14 horas. Mas fique tranquilo porque nossos técnicos vão estar interrompendo o trânsito e você terá tudo o que está sendo falado aqui. Água, gatorade, camiseta e medalha tudo isso já está sendo preparado e organizado pelos nossos consultores. O chip também vai estar funcionando perfeitamente. É que de repente ele pode ter alguma dificuldade momentânea e não marcar em alguns pontos. No final, durante a premiação no podium pode ser que trave o hino e um de nossos supervisores não apareça para a entrega da medalha.

Como você acha deve terminar essa corrida?

Araka!

quarta-feira, 13 de maio de 2009

Depois dos 42....

Terminei a maratona, e agora?
Claro que vou continuar correndo.

Não é porque fui na melhor churrascaria do mundo que eu vou parar de comer carne! Ainda não virei vegetariano!

Com a corrida é igual, claro que vou continuar correndo e me gabando que já fiz a melhor corrida da minha vida! (pelo menos até agora).

Aposentadoria? Nem pensar! Isso sempre foi um hobby, não uma profissão.

Claro que as outras corridas não vão ter a mesma emoção, graça e empenho que teve a maratona, mas no final a gente acaba procurando outros desafios no meio delas. Ganhar de um amigo, baixar o tempo, conhecer novos lugares ou seja, sempre vamos ter um motivo pra correr.

Mas a volta aos treinos é pesada, dura, desgastante! Parece volta de feriado!

5 dias na praia, esquecendo da vida, curtindo pra caramba com os amigos e depois você lembra que tem a maldita Imigrantes pela frente.

10 dias depois da corrida, depois de ter viajado e passeado pra caramba, fui correr pela 1a vez. 6:45 da manhã – Parque do Ibirapuera. Saí aquecendo, bem devagar, muito devagar e conversando com todo mundo, contando como foi a prova, as dificuldades, os bons momentos, curiosidades... tudo aquilo que escrevi por aqui. Igualzinho a volta da praia, carro cheio, todos animados com o feriado e querendo chegar logo em casa! A viagem nem começou e queremos acreditar que ela vai ser rápida.

Depois fui soltar 20 minutos. Que sofrimento. Parecia que eu estava no km 40. Minhas pernas não andavam, se arrastavam. Fui tentar fazer a volta de 3km mas precisei de mais tempo. Nunca tive um treino tão sofrido. Alongamento depois? Piorou. Esticar a perna? Que perna? Não dava pra sentir mais nada. Sai de fininho.

Você já andou uns bons kilômetros e a Rio Santos te engana, ela está cheia mas o trânsito anda, um pouco mais devagar do que deveria.

No Sábado fui pra USP. Num horário mais descente, 9hs.
Tive uma sensação muito estranha. Estava sem gel, bcaa, não preparei a proteína para depois do treino. Ou seja, o tempo todo estava com a impressão de ter saído de casa sem carteira, celular ou chave. Parecia que estava correndo pelado!

Chegamos na Imigrantes. Agora começa o caos. Estrada parada. Caranguejos passam ao seu lado. Vendedores de água, coca, “salgado e doce” tomam conta do asfalto. Buzinas. Você olha pra frente e só vê carros parados. Mais buzina. Sem condições de continuar. Queremos voltar, mas não dá, não tem retorno.

Sai trotando bem leve com uns amigos. Saímos pra 8km. Mas dessa vez já estava um pouco melhor, parecia que estava no 37km. No meio de nossa longa volta de 8km, sugeri mudar pra volta de 6km, em resposta mudaram nosso treino e fomos desbravar a subida mais temida de São Paulo. Não, se você pensou na Brigadeiro ou na Min. Rocha Azevedo você nunca correu na USP! Foi a biologia mesmo. Uma “ladeirinha” de quase 1km que atormenta o sono de qualquer corredor. Quer deixar alguém mau humorado, manda ele correr a biologia!

Na subida, por razões mais do que óbvias o papo parou. Bem devagar vamos subindo, encarando o asfalto duro. Ao redor só mata. De vez enquando um louco passa por você. Quem está com 2 rodas tem um desempenho bem melhor que o seu, concentração total e vamos indo. Não agüentamos mais essa subida! Ela não termina! E como sobe! Agora dá pra ver o final, que continua não chegando. Pronto, reta, chegamos, subimos! A alegria voltou aos nossos rostos. A preocupação de quebrar e ficar por ali já passou. Todo mundo pensa nisso, mas ninguém fala para não “evocar os demônios”.

Agora falta pouco, mais da metade já foi.

Pros que estavam na Imigrantes, agora só mais uma reta, pista larga e trânsito de novo só lá na Bandeirantes.

Quem estava na Biologia sorri para a descida. Que maravilha! Solta a perna, deixa a gravidade te levar. A conversa até volta!

Continuamos com o treino e terminamos bem cansados, pelo menos num ótimo tempo. Papo em dia e próximos desafios e feriados traçados. Pelo menos pra alguns...

Araka!